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Aula 2 — Razão instrumental: Adorno e Horkheimer

FILOSOFIA · 2ª SÉRIE · 4º BIMESTRE DE 2026

Professor Rodrigo Rodrigues Santos de Almeida · Colégio Estadual Dom Pedro I

Razão instrumental: Adorno e Horkheimer

Fotografia de Max Horkheimer e Theodor Adorno
Fotografia: Jeremy J. Shapiro (1964), CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons.

Para começar

O método mais eficiente é sempre a melhor escolha?

Texto de estudo

Imagine uma fábrica que consegue produzir mais gastando menos energia, mas decide despejar resíduos sem tratamento para reduzir custos. Do ponto de vista da economia imediata, a decisão parece eficiente. Mas ela continua sendo boa quando consideramos a saúde da população, os rios e a responsabilidade com as próximas gerações? Esse conflito ajuda a apresentar a noção de racionalidade instrumental.

Theodor Adorno e Max Horkheimer foram pensadores ligados à Escola de Frankfurt, conhecida por desenvolver a Teoria Crítica. Eles investigaram contradições das sociedades modernas, inclusive a possibilidade de que a razão, criada para ampliar o conhecimento e a liberdade, fosse reduzida a um instrumento de dominação e controle. O problema surge quando a racionalidade se concentra nos meios mais eficazes, deixando de questionar os fins desejados.

Por exemplo, um sistema pode medir com precisão o tempo necessário para concluir determinada tarefa. A medição é útil para planejar a produção. Entretanto, se a única preocupação for aumentar resultados, a empresa pode ignorar o cansaço, a saúde e a autonomia dos trabalhadores. A crítica filosófica não pretende proibir medições ou rejeitar a tecnologia, mas lembrar que eficiência não substitui reflexão ética.

Também é importante evitar uma confusão: a expressão ‘razão instrumental’ não significa que todo instrumento seja ruim. Ela descreve uma maneira de pensar que transforma tudo em algo controlável ou utilizável. Ao discutir meio ambiente, devemos perguntar não apenas ‘como extrair mais?’, mas ‘para quê, para quem e com quais consequências?’. Essas perguntas tornam a técnica objeto de debate público.

Esse problema também aparece quando uma instituição afirma que determinada decisão é ‘inevitável’ porque traz maior produtividade. A palavra inevitável merece atenção: muitas vezes existem alternativas, mas elas exigem escolhas sobre prioridades. Cabe perguntar quem definiu essas prioridades e quais interesses foram considerados no processo.

Para refletir

Como esse tema aparece na realidade brasileira? Tente encontrar um exemplo verificável para discutirmos em sala.

Atividade no caderno

Responda às duas questões com suas palavras, justificando. Apresente para visto na aula seguinte.

  1. Defina razão instrumental a partir de um exemplo que não apareça no texto.
  2. Explique por que uma decisão tecnicamente eficiente pode ser considerada eticamente problemática.

Para aprofundar (opcional)

Consulte o capítulo correspondente de Moderna Plus Filosofia e compare a argumentação do texto com situações discutidas em sala. Indicações de vídeos e reportagens poderão ser acrescentadas.

Referências

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Moderna Plus Filosofia. São Paulo: Moderna, 2024. Unidade 1.

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