SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO · 1ª SÉRIE TÉCNICA · 2026
Aula 5 — Ergonomia e NR-17
Colégio Estadual Dom Pedro I · Professor Rodrigo Rodrigues Santos de Almeida
Para começar
Você já sentiu dor no pescoço, nas costas ou nos braços depois de muito tempo usando o celular ou computador?
Imagine duas pessoas, uma com 1,55 m e outra com 1,90 m, trabalhando durante oito horas na mesma bancada, sem possibilidade de regulagem. O ambiente é adequado às duas?
A ergonomia parte de uma ideia simples: o trabalho também precisa ser adaptado às características das pessoas.
1. O que é ergonomia?
Ergonomia é o estudo da relação entre as pessoas e as condições em que realizam suas atividades, buscando adaptar o trabalho às características humanas.
Seu objetivo é promover conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente. Não se limita a comprar cadeiras caras ou a ensinar uma postura supostamente perfeita. Envolve também os equipamentos, o ambiente e a organização das tarefas.
2. O que estabelece a NR-17?
A NR-17 — Ergonomia estabelece parâmetros para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Ela aborda levantamento e transporte de materiais, mobiliário, máquinas, ferramentas, condições de conforto e organização do trabalho.
Ergonomia não é apenas postura.
3. Ergonomia física: exemplos
- Computador muito baixo: pode levar à inclinação prolongada do pescoço.
- Cadeira inadequada: pode causar desconforto durante longos períodos.
- Objeto pesado no chão: exige esforço no levantamento da carga.
- Movimentos repetitivos: podem sobrecarregar músculos e articulações.
- Bancada alta ou baixa demais: pode exigir posições desconfortáveis.
A solução nem sempre é pedir ao trabalhador que “tome mais cuidado”. Pode ser necessário ajustar a cadeira, a bancada, o monitor, a ferramenta ou o próprio método de trabalho. Também é importante variar posturas e atividades.
4. A organização do trabalho também importa
Imagine um trabalhador com cadeira adequada, mesa regulável, monitor bem posicionado e iluminação confortável. Mesmo assim, ele enfrenta pressão constante, ritmo excessivo, tarefas incompatíveis com o tempo disponível e dificuldade para realizar pausas.
Esse trabalho está ergonomicamente adequado? Não necessariamente. A organização das tarefas também faz parte da ergonomia. Por isso, a NR-17 tem pontos de contato com os fatores de riscos psicossociais estudados na NR-1.
Condições inadequadas podem contribuir para dores, fadiga, dificuldade de concentração, erros, acidentes, lesões e afastamentos. Ergonomia também é prevenção.
5. Ergonomia no escritório
As condições de trabalho com computador merecem atenção especial:
- Monitor: posicionamento e ajustes que evitem desconforto na cabeça e no pescoço.
- Mesa: espaço e dimensões adequados para os movimentos necessários.
- Cadeira: características e ajustes compatíveis com a atividade e com a pessoa.
- Apoio para os pés: quando necessário, para adequar a posição das pernas.
- Iluminação: evitar ofuscamento, reflexos e contrastes excessivos.
- Organização: considerar ritmo, exigência de tempo, pausas e alternância de tarefas.
Atenção: a regra dos 10 minutos a cada 50 minutos
Não existe uma regra geral na NR-17 determinando que todo trabalhador de escritório tenha 10 minutos de pausa a cada 50 minutos de trabalho.
Há uma regra específica para atividades de entrada de dados: a NR-17 prevê pausa mínima de 10 minutos a cada 50 minutos trabalhados, sem desconto da jornada normal; limita o tempo efetivo de entrada de dados a cinco horas por dia e estabelece limite de 8.000 toques reais por hora trabalhada.
Essas disposições específicas não se aplicam automaticamente a qualquer profissional que utilize computador. Em outras atividades, as medidas de prevenção, incluindo pausas ou alternância, devem considerar os riscos e as exigências da atividade.
6. Ergonomia na escola: exemplos próximos de você
- Carteira pequena para um aluno alto, com pouco espaço para as pernas.
- Aluno baixo que não consegue apoiar os pés.
- Várias aulas seguidas na mesma posição.
- Uso prolongado de celular com o pescoço inclinado.
- Notebook posicionado muito baixo.
- Reflexo da janela na tela ou iluminação insuficiente.
- Temperatura desconfortável ou ruído que atrapalha a concentração.
- Mochila excessivamente pesada.
- Muitas tarefas com prazos incompatíveis.
Essas situações mostram que o desconforto não depende apenas do comportamento do aluno: o mobiliário, o ambiente e a organização das atividades também fazem diferença.
7. Atividade prática: auditoria ergonômica da sala
Observe sua própria posição: seus pés estão apoiados? A carteira tem tamanho adequado? Como está seu pescoço? Há quanto tempo você está na mesma posição? A iluminação é suficiente? Existe ruído que atrapalha?
Agora analise a sala como se você fosse um profissional de SST. Considere mobiliário, postura, iluminação, temperatura, ruído, tempo sentado, uso de tecnologia e organização das atividades.
Se a sala de aula fosse um ambiente de trabalho, o que você mudaria? Procure identificar o problema, sua possível consequência e uma solução.
Exercícios — responda no caderno
- O que é ergonomia?
- Qual Norma Regulamentadora trata especificamente da ergonomia?
- Por que ergonomia não significa apenas manter uma postura correta?
- Cite três exemplos de problemas ergonômicos.
- Uma cadeira adequada é suficiente para garantir boas condições ergonômicas? Explique.
- Um trabalhador possui excelente cadeira e computador corretamente posicionado, mas trabalha sem pausas e sob ritmo excessivo. Existe um problema ergonômico? Justifique.
- Observe a sala de aula e proponha duas mudanças que poderiam melhorar suas condições ergonômicas.
Orientação: responda com suas próprias palavras no caderno e apresente para visto na aula seguinte.
Para consultar: Normas Regulamentadoras — Ministério do Trabalho e Emprego.